quinta-feira, 2 de agosto de 2018

considerações sobre egoísmo, egocentrismo e... saber quando parar

É pouco realista pensar que há pessoas totalmente altruístas, sem ponta de egoísmo lá, algures, dentro delas. Alguma vez na vida, essa pessoa-quase-perfeita pôs-se em primeiro plano na sua cabeça, à frente de todos e mais alguns. Haverá de ter querido salvaguardar-se relativamente aos outros. Porque o ser humano é assim, naturalmente. Nas mais pequenas coisas e nas menos pequenas.  
O egoísmo não é necessariamente corrosivo, terrível. Como disse, podemos considera-lo natural. Mas não o egoísmo exacerbado, que roça o ridículo, que faz cair queixos e põe cabelos em pé. Esse é, com toda a certeza, das piores características que alguém pode revestir. É um "uniforme" odioso e uma poderosa arma para a degradação de relações e, inclusive, da personalidade de cada um. 

Dificilmente uma pessoa excessivamente egoísta chega a lugar algum. Ou melhor: dificilmente se conseguirá manter em lugar algum. Por ela, no comando. O conceito de grupo, para essas pessoas, é peculiar. É, pura e simplesmente, uma palavra nas bocas do mundo e nos dicionários, vazia de significado, ou do significado que, por natureza e etimologicamente, lhe é atribuído. 

Não há como fugir. Não há lugar para egoísmo em grupos. Por conseguinte, também não há lugar para egoístas. Estes, com facilidade, desvirtuam, desacreditam, o sentido da "pequena associação", do agrupamento de pessoas. 

O grupo existe, como "entidade", por e para as pessoas que o compõem. Apesar daquela veste, há pessoas por detrás do grupo. A individualidade de cada um merece o valor que, inevitavelmente, tem. O papel, mais ou menos preponderante, que foi assumido por cada pessoa é indissociável do conceito de grupo. A atividade que é exercida em comum pressupõe a entreajuda, a camaradagem e, sobretudo, o diálogo. 

E diálogos e egoístas... bem... não se coadunam. 
O egoísta quer açambarcar, monopolizar. Vive para ser o centro e para tomar o controlo. O egoísta vive na sombra de si próprio e facilmente se perde quando da sua sombra se perde. 

O egoísta pode aparentar estar, muitas vezes, numa posição de domínio, porque apenas dele depende. Mas até quando será possível essa "sobrevivência"? O domínio nunca será suficiente e a sede desmedida de controlo suplantará qualquer objetivo. Derrubar é a palavra de ordem. Mas derrubar o quê, ao certo? 

Primeiro os outros, depois o egoísta. 

E  agora seguir-se-iam as considerações sobre o egocêntrico. Mas esse dispensa apresentações. É o egoísta, numa versão melhorada (ironicamente falando, claro). 


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