segunda-feira, 30 de julho de 2018

tully, um filme estranho... a todos os níveis

Muito a meu pedido, sem informar propriamente o homem sobre o que tratava o filme, fomos ver o Tully.




Achei uma gracinha ao cartaz, vi que tinha a Charlize Theron como atriz principal e que tinha a ver com a maternidade, o stress que advém da dita cuja e a ajuda preciosa de uma nanny.  Dei uma vista de olhos no trailer e ala que se faz tarde.
Foi um filme estranho, que eu sei que não prende qualquer pessoa e que, a determinada altura, pode roçar o desinteressante. Mas depois, aqui e ali, vai havendo qualquer coisa que prende a atenção: quer pela piada da cena, quer pela peculiaridade da coisa. 

E como li numa crítica, é impossível não deixar de dispensar um tanto de atenção para o corpinho da Charlize, que para ficar no ponto para esta personagem (Marlo, de seu nome) teve de engordar nada mais, nada menos que 25 quilos. Isso mesmo, 25!!! Fez uma dieta à base de fast food e comidas processadas, cheias de açúcar, para "vestir a pele" de mãe de família, acabadinha de dar à luz (pela terceira vez), num stress imenso e com uma vida não propriamente maravilhosa.

Ainda sobre o corpo da Charlize, é esquisito ver uma mulher perfeita (pelo menos, é isso que sempre deu a parecer, no que toca à sua aparência física) parecer uma mulher mais real. Não consigo tecer grandes considerações a este respeito, porque será, na certa, fonte de discussão. Bem sei bem que tudo se resume a cuidado e força de vontade em uma pessoa se sentir bem com ela própria, mas, ali, ela é como tantas mulheres que conheço. Que fruto das mais variadas situações (o stress do trabalho, a carga genética e outros fatores) não conseguem manter o corpicho nos trinques, nem que a vaca tussa.  
A realidade não é sinónimo de um corpo "acabado", mal tratado e pouco escultural. Ou talvez sem querermos estabelecer essa relação, ela acaba por ser demasiado comum.

A história, sobretudo olhando para como tudo é retratado, é muito crua, muito real. Sem o ser... e depois perceberão porquê (se virem o filme, claro, muahahah). 
Nunca fui mãe, e estou longe de ser, ainda, mas fiquei assim um pouco para o assustada. Apesar de todas as coisas boas que um bebé há de trazer, mostra-se, de uma forma muito verdadeira, o lado negro de tudo aquilo. As noites mal dormidas, a falta de tempo, o golpe na auto-estima. A falta de apoio do pai, os outros filhos, a sensação de falhanço e de que nada deu certo. 

Já li e ouvi muitos relatos de mulheres que foram mães e que, de forma sincera, descreveram os pontos menos bons, e bateu tudo certo


Depois de uma quanta estranheza causada pelas mais inusitadas cenas e insólitos pormenores, há um deles que "faz cair a ficha" e a história torna-se mais interessante. A partir desse momento, vale tudo mais a pena (para quem vê o filme) e faz tudo o dobro do sentido. 

Poderão - os mais atentos e críticos - dizer que há pontas soltas, mas não creio que isso transforme o filme em algo mau e sem qualidade. Faz parte... poucos são os realizadores que não deixam dessas meninas para trás. 

Eu confesso que depois deste filme, que podemos, até certo ponto, considerar vazio, mas que no fim ganha com isso mesmo, porque espelha a própria realidade que é vivida, passo a olhar, com outros olhos, para todas as mães (mães há vinte anos, mães há dois, mães há dias...) e para o sonho/pesadelo que pode ser a maternidade. 

Dentro do bom, há sempre pontos menos bons. O perfeito está longe de ser real e é bom que até o cinema nos faça lembrar desse pequeno pormenor. 
Julgo que este filme o conseguiu bem. 

Dei por mim à varanda, mais tarde, a olhar para nenhures, cheia de dúvidas quanto à certeza das vidas e a verdade do comando que assumimos quanto ao nosso caminho. 

Não sou uma entendida em cinema, não sou normalmente "autora" de críticas ferozes, porque tento sempre encontrar qualquer coisa de bom no mais singelo filme. Mas tenho espírito crítico e esta é a minha opinião sobre este filme. Pode ser diferente da vossa e da da maioria, mas fica a tentativa de vos convencer a ver este filme - homens e mulheres!!! - que considero capaz de alterar, um bocadinho, a perspetiva de todos, em relação a uns e outros. Pode tornar-se numa ajuda e chamada de atenção para algumas mulheres, até. Pode servir mesmo para que outras possam precaver-se. 

Se já viram o filme, deixem os vossos comentários. 

Não entrei em grandes pormenores para não desvendar o final! 

Um beijinho,
Raquel

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