quarta-feira, 20 de junho de 2018

rest in peace..."filho da mãe"

Há coisas que me deixam para lá de possuída. Esta, de que vos falo agora, é uma delas.

Ontem ouvi falar, pela primeira vez, no XXXTentacion. Até aqui, ainda não consegui descortinar como se pronuncia isto, pelo que optarei por lhe chamar Jahseh Dwayne Onfroy (que, diga-se de passagem, não é assim tão mais fácil de pronunciar).


Este miúdo, com vinte anos, era um rapper americano que morreu, ontem, atingido por uma bala (que coisa tão fora do normal nos States, hein?).

Até aqui tudo bem - ou tudo mal, porque logicamente não se deseja a morte a ninguém. O problema começa a seguir. Eu, que nunca tinha ouvido falar desta pessoa (chamem-me o que quiserem, a verdade é que não sou a maior fã do mundo de rap), resolvi fazer uso do meu grande amigo Google e tratar de descobrir de quem se tratava.
Dado o acontecimento, dei de caras com mil e uma notícias sobre a morte do Jahseh. Acabei por ir ao Twitter e ao Instagram, para perceber se ele era assim tão querido pelo público, se tinha um batalhão e meio de fãs.
Descobri que sim.
Era "descansa em paz meu adorado, que agora estavas a ficar diferente" para aqui, era "porque é que isto tinha de acontecer, eras um ser humano tão bom" para acolá. Pensei logo: epá, que pena, um gajo bom e tal que morreu com um tiro. Realmente ninguém merece. E não tirem ilações despropositadas deste meu discurso, por favor. Efetivamente, ninguém merece, mas há quem se ponha a jeito. Mais para a frente, entenderão.

Fui tratar, finalmente, de descobrir mais qualquer coisa. Rapidamente me apercebi que era mais conhecido pelos sarilhos em que estava metido, do que propriamente pela música que fazia. "Ficou conhecido pela canção Look at Me!, por constantes polémicas envolvendo agressões físicas e por causa de uma desavença com um outro rapper (um tal de Rob Stone que também não conheço, perdoem-me).

Não me passou ao lado o seu passado claramente estigmatizante. Foi criado pela avó dada a situação financeira complicada da mãe. Aos seis anos esfaqueou um homem que tentou atacar a sua mãe. Depois esteve num "centro de correção" (nunca descobri, verdadeiramente, como chamar a estes sítios sem incorrer em erros de algum tipo...). Está visto que, desde muito novo, esteve ligado a tudo aquilo que não é bom. Viveu num meio familiar claramente disfuncional e acho que se tornou normal, para ele, todo e qualquer tipo de infração, de conduta contrária ao social e eticamente aceitável.

Depois li uma coisa que me deixou absolutamente chocada e, aí sim, "o jogo virou".





Sim, exatamente. 
Este MIÚDO levou a cabo dos atos mais monstruosos, mais degradantes e recrimináveis de que me consigo lembrar. Um verdadeiro atentado à dignidade humana de alguém que, por qualquer motivo, se sujeitou a isso. Não sou capaz de "dividir culpas", aqui, como muitos fazem. Não digo que quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Não critico as pessoas que, infelizmente, não conseguem sair da espiral de destruição que é a violência sexual, psicológica e física, entre casais, entre família, etc. Não me choca a dificuldade em libertarem-se disso, não me deixa surpreendida a quase vassalagem. Mas isso são outros quinhentos. 

Fica, então, o choque relativamente aos comportamentos deste tal de  XXXTentacion. Autor de uma data de assaltos, de agressões, de verdadeiros atos bárbaros, tinha uma legião de fãs capazes de esquecer todas essas coisas em prol de algo maior, que sinceramente não sei onde está nem o que é. 
"Estava a mudar, agora", dizem eles. 
Duvido. 
Uma pessoa não passa uma vida inteira embrenhada na vida do crime e, aos vinte anos, quando a adrenalina tem mais graça, quebrar regras é mais divertido, deixa-se disso. Não me parece que isto aconteça na "vida real". 
Sinceramente, há pessoas que nasceram para morrer assim, nesta circunstâncias. Ele, provavelmente, seria uma delas. 










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