segunda-feira, 18 de junho de 2018

obrigada por voltares, querido quase-verão, tinha muitas (ou às vezes nem tantas) saudades tuas


Este post tem um título absurdamente longo, mas foi a única forma de encontrei de passar para palavras tudo aquilo que sinto, neste momento, a respeito do nosso querido, amado, verão. 
Andávamos aí (vou deduzir que são daqueles que andam, desde janeiro, em contagem decrescente para o primeiro mergulho do ano) feitos loucos, à espera do fim da chuva. Desolados com os dias cinzentos e à procura do sol que andava escondi-do sabe-se lá onde. Eis que ele veio, meus amigos.
É o quase-verão. É assim que lhe chamo. Na verdade, nem ligo muito a essa coisa de as estações do ano começarem num dia certo: primeiro, porque vendo bem as coisas, isso das estações do ano já nem existe; depois, porque faz algum sentido apregoar que chegou o inverno e estar um dia de sol, uma temperatura digna de não ligar aquecedores e uma pessoa nem querer ter uma mantinha por perto? Não. Não faz. 

Então, vistas as coisas, para mim é verão quando, durante alguns dias seguidos (não sei quantos, mas a minha cabeça encarrega-se de fazer essa "contagem" por ela própria) vem o sol, vem o calor, a malta começa a poder mandar-se para a praia, coiso e tal. 

Se veio para ficar, não sei. Gostava eu de ter o dom de adivinhar essas coisas. Mas é certo que ainda agora chegou e já estou irritada. 

O quase-verão (ou verão, pronto) é muito bonito, muito maravilhoso. É uma lufada de ar fresco nessas nossas vidas chatas de primavera (ainda existe primavera?) e deixa-nos a suspirar por um agosto em banho-maria numa qualquer praia banhada pelo mar mediterrâneo. 

Mas e enquanto isso não acontece? 
É suposto penar para respirar, suar em bica após uns míseros trinta metros debaixo de sol, derreter enquanto seco o cabelo com o secador? 
Provações, senhores. São autênticas provas de fogo. 
"Como resistir ao verão, quando tem de se trabalhar/estudar/fazer coisas importantes?". Alguém escreva qualquer coisa sobre isto: um manual de sobrevivência, quiçá. 
Comprava! E não seria só eu. 

Estou aqui sentada no chão do quarto, quase às escuras e de janela fechada para impedir que o malvado entre (sim, o calor!). Preparo-me para enfrentar o maior desafio do meu dia. Acordei cedo, quando ainda se podia andar pela rua, certa de que o direito societário seria o meu pior inimigo. Às dez e pouco da manhã já não conseguia pensar assim. Apercebi-me de que estava enganada. Risquei o direito desta minha nota mental, substitui-o pelo quase-verão. 
Esqueci-me de vos dizer, mas o grande desafio a que me referia é, simplesmente, estar dez minutos debaixo de um calor estúpido, provindo do meu secador de cabelo. 

Parece fácil, não é? Não, não é. É um ato heróico, quase. 
E não me venham com lérias. "Deixa secar ao ar!" ou "Põe a dar ar frio!". Balelas. Não é a mesma coisa. 

Vou dar início ao evento que marca o início deste quase-verão. A primeira vez, desde o ano passado, em que prevejo que me vá custar horrores ter o cabelo seco. Terminarei a achar que mais valia nem ter tomado banho. Irritada. 

Chega de procrastinação. Desejem-me sorte e partilhem comigo as vossas angústias. Sou toda, toda ouvidos. Ouvidos e muito calor. 


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