sexta-feira, 22 de junho de 2018

considerações sinceras sobre a faculdade



Não sei por onde começar.

Não me lembro propriamente bem de mim em miúda, pequena. Nem de fralda nem quando os dentes de leite começaram a cair. Mas se há coisa que me lembro, é de não me lembrar de alguma vez ter sido naturalmente organizada. Sempre foi uma coisa que tive de me obrigar a fazer. Muito levei na cabeça da minha querida mãe pela desarrumação, pela desorganização.


Hoje, com vinte e dois anos, considero-me uma pessoa organizada. Pelo menos, com capacidade de organização.
Arrumada? Isso já nem tanto, é certo.
Mas não podemos confundir organização com arrumação - são coisas muito diferentes.

Em 2014 começou uma das maiores aventuras da minha vida. Entrei em direito, em Coimbra. Contra tudo e contra todos, vinda de ciências e tecnologias, candidatei-me a direito. Na altura, não fazia ideia do que me esperava, mas também não puxei muito pela cabeça para tentar perceber o que esperar.

Não sei se é só de mim (ou se é assim com todos), mas não senti que o ensino secundário me tenha preparado propriamente para o desafio que é a faculdade. Tive de aprender a ser autodidata, a lutar contra o stress e a ansiedade, a não ceder à pressão e ao fracasso. Quase quatro anos depois, ainda não sinto que o faça assim tão bem.
Cada janeiro, cada junho, é uma dor de cabeça do caraças. Voltam as maratonas de estudo, volta aquela sensação de ter de lutar contra o tempo, volta aquele friozinho na barriga de cada vez que uma nota está para sair. Estou mais "calejada", mas parece que nada mudou. Aliás, parece que ficou tudo mais difícil.

Não gosto de parecer presunçosa no que toca à faculdade e à dificuldade dos cursos, mas afirmo, sem medos, que o meu curso é tudo menos fácil. Dá muito trabalho, torna-se muito desgastante e, a certo ponto, consegue deixar qualquer pessoa extremamente desanimada. Ao mesmo tempo, a cada sucesso, sinto-me mais motivada e com vontade de aprender.
Tive a sorte de, desde o primeiro momento, gostar muito do que estava a aprender. Todos temos as nossas cadeiras "menos preferidas", aquelas que queremos ver pelas costas o mais rápido possível, que nos deixam em desespero de cada vez que temos de ler uma frase que seja, mas apesar de tudo, não podia estar mais satisfeita.

Quanto à necessidade de ser organizada... bem... cedo percebi que tinha de o ser, desse por onde desse. Foi uma necessidade. Organizar apontamentos, marcar códigos, estudar para exames e preparar orais. Organizar materiais torna-se facílimo perante organizar tempo. O tempo é, sem dúvida, a coisa mais difícil de gerir.

Não conseguir arranjar tempo para ir tomar um café com amigos, ir ao cinema ou ir dar uma perninha aos saldos é o prato do dia. Realmente é possível fazer tudo, mas confesso que na maioria das vezes não consigo perceber como. Não arranjo maneira. Mas quando consigo fazê-lo, a sensação é inacreditável.

Hoje consegui terminar uma tarefa que, na minha "checklist mental"deveria estar pronta já há dois dias. Foi uma vitória. Foi assim que o senti. Muitas vezes, o stress é maior quando estabelecemos objetivos que não conseguimos cumprir. Porque não se proporciona. Porque por vezes nem é humanamente possível.
Tiro a chapéu a todos aqueles cujo espírito de sacrifício é fora de série. À minha maneira, o meu também existe, também já foi o responsável por algumas vitórias minhas. Mas sinto que nunca me sacrifiquei ao ponto de não dormir, não comer, parar quase de sentir que sou uma pessoa. Por vezes não sei se é bom, se é mau, se não interessa nada. Ainda não consegui descobrir. Talvez um dia aconteça.

Este foi um desabafo necessário, no fim de um dia de muito trabalho.
E desse lado? O que têm para contar?

(21 de junho de 2018)

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