terça-feira, 20 de março de 2018

primavera a dois


Doentes de amor e sedentos de abraços. De beijos doces, manhãs de verão e tardes de inverno. Juntos pelo fim do passar do tempo, do rápido e irreversível passar do tempo. Militantes da alegria e partidários da felicidade. 

A convicção pura de que o carinho cresce a cada singelo minuto que passa fá-los subir às nuvens e eles deixam-se ficar por lá, descansados, a sorrir. São sorrisos sem esforço. Há quem diga até que o fazem sem saber. 

O queixo dela no ombro dele. Quem os desenhou sabia tão bem o que estava a fazer. Pensou ao pormenor e pensou com amor. 

Abraçam-se intermitentemente. Quando param, olham-se de uma forma inequivocamente profunda e voltam a sorrir. Os olhos brilham. Que olhar sem fim.  

Dizem que os beijos lhes fazem lembrar o sabor das cerejas. O doce que lhes assola o paladar fá-los sonhar com a primavera e os dias de sol. Com os malmequeres na beira da estrada, que são de ninguém e de toda a gente. 

O acre instala-se nos dias de adeus e de até à próxima. A saudade corrói-lhes qualquer coisa por dentro. Deixa-lhes os corações apertados, mas vivos. Batem alucinantemente e vai-se a ideia de querer parar o tempo. O desejo, agora, é que o tic-tac dos relógios seja veloz, ligeiro. 

Que o doce, o doce das cerejas, volte a ser o residente dos lábios estalados pelo frio dos primeiros dias de março. 

A lonjura, coisa capaz de ferir os mais ternos corações, é persona non grata nas suas vidas. Mandam-na embora em troca do sabor das cerejas, das tardes de sol, das andorinhas inquietas e da brisa matreira e fria das manhãs. 

Como são felizes, sempre. 
Mas como se distinguem, pelo brilho e pelo amor, no meio da multidão, nos tempos de primavera. 


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