quinta-feira, 8 de março de 2018

avó, bisavó, queridas mulheres


Tenho muitas saudades de duas mulheres que foram, em tudo, muito importantes para mim. De uma lembro-me melhor, é certo. Mas à outra, não deixo nunca de a recordar. E sinto falta dela, do passado. Do saudoso passado. Dos dias passados em casa, dos legos, dos passeios pela aldeia, das brincadeiras. Daquele dia em que levámos connosco um ouriço-cacheiro.
 
E da primeira? Tenho saudades de tudo. Das tarde à janela, a ouvir o fado de Coimbra, saído de umas cassetes antigas, carregadas de pó. Ela soube que eu ia gostar daquilo até hoje. Tenho saudades das voltas pela baixa, de jogar às escondidas pela casa, dos bifinhos de porco com manteiga, de vê-la saber ser da minha idade, com oitenta anos. Era boa nisto, porra. 

Tenho muitas saudades de duas mulheres que, bem sei, podiam ter tido uma vida melhor. Tenho muitas saudades de duas mulheres por quem podia ter feito mais qualquer coisa, a quem podia ter dado muito mais amor. 
Mas estas duas senhoras, lá onde estão, só podem estar orgulhosas. A mensagem passou. E se passou. 

Devo-lhes um obrigada sincero, do tamanho do mundo (e, para isto, a terra é bem pequenina).
O carinho, a dedicação e a paciência, sobretudo a paciência, foram imensuráveis. 

Feliz dia da mulher não só a elas, mas a todas aquelas que me fazem gostar tanto de ser mulher. 


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