sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

adeus, zé pedro dos xutos


Era o Zé Pedro dos Xutos
Hoje, a minha mãe chegou ao meu quarto e disse-me: Morreu o Zé Pedro, soubeste? Gostavas tanto do Zé Pedro.

Gostava mesmo, e nem sabia ao certo porquê. Gosto muito de música, mas não percebo nada de guitarras. Não sei apreciar, não sei ser crítica. Mas não era a guitarra nas mãos deste homem que fazia dele o meu preferido, no meio de uma banda pela qual, por ser a primeira que vi ao vivo, tenho um carinho e um gosto super especial. 
Era a presença simpática, marcante, e ao mesmo tempo, louca. O ar alucinado. Parecia um insano positivo. Esqueci-me desta: a figura excêntrica, claramente contra os padrões da normalidade. 

Desde pequenina que nunca ninguém me escondeu que aquela pessoa, como tantas outras que ia "conhecendo" e aprendendo a ouvir (desde o Freddie Mercury ao George Michael, passando pelo Bob Dylan ou o Steven Tyler) levavam vidas diferentes, incomuns e, pleonasmo à parte, muito bem vividas. Por vezes, ou quase sempre, não no sentido "correto" da coisa. 

Mas, ainda assim, com aquele pano de fundo de sex, drugs and rock'n'roll, nunca pensei falar no passado sobre o Zé Pedro (ou qualquer outro membro dos Xutos) antes de chegar aos meus quarenta. Pareciam-me tão imortais. Parecem todos, não é verdade? 

Dele (e sobre ele), guardo um testemunho incrível no Alta Definição, que me fez pensar muito, chorar muito e, curiosamente, sentir-me insatisfeita com a forma como, muitas vezes, encaro a minha vida, o meu dia-a-dia, os meus problemas. 
Além disso, aprendi que não somos os únicos

Termino com um agradecimento do tamanho do mundo à minha mãe e ao meu pai, por me ensinarem a gostar de alguém que não conheço, mas que admiro pelo prazer e satisfação que alguma coisa que sabem fazer tão bem, me traz: a música. 

Beijinhos (acompanhados de uma comoção estranha e gigantesca),  
Raquel 


A primeira vez que ouvi esta aqui, achei que tinha sido feita para mim. Maria

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