terça-feira, 26 de dezembro de 2017

porque ninguém é obrigado a adorar o natal


Há muito que não adoro o natal e não, não vivo assim tão bem com isso. Estaria a mentir se dissesse o contrário. Afinal, tudo o que é canal televisivo, centro comercial, jornal, revista ou blog na internet tenta (com sucesso!) entupir-nos com esta coisa da magia do natal, do giro que é desembrulhar presentes e da felicidade que traz ter a família reunida. 

Mas que seja ponto assente que nem sempre há grande coisa para desembrulhar, sendo que muitas vezes sabemos bem o que lá está dentro e, puf, a surpresa não tem lugar. Depois, importa lembrar que as famílias pouco funcionais estão na berra, muito infelizmente, o que torna mais complicado para muitos poderem usufruir do tal espírito de reunião natalícia. 

Comida, acredito que não falte tanto quanto posso tentar imaginar. Quero muito que seja verdade que, exceções óbvias à parte, a malta arranja um dinheirito para comprar qualquer coisa. Não tem de ser um manjar dos deuses, não tem de ser bacalhau, não tem de ser peru, nem tem de ser leitão. Não tem de haver mil e quinhentos doces na hora das sobremesas. Sonhos do tipo X, do tipo Y e do tipo Z. As rabanadas da tia que são assim, as da avó que são assado e ainda as da amiga da não sei quem, que ainda consegue fazê-las de forma diferente. 

E no meio deste misto todo de sensações esquisitas, pouco coerentes com a neve, os laços vermelhos e os pais-natais gordinhos e queridos, é bem provável que possamos não gostar assim tanto do natal. Porque nem sempre as coisas correm bem, porque às vezes correm mesmo mal. E basta uma vez pior que as outras, que rápida e facilmente esquecemos o que está para trás, que passou e que até foi bom, muito bom. 
Mas não é desprimor nenhum não se ser um ávido fã da quadra natalícia. Eu até gosto muito de me perder nas playlists de natal do Spotify, deixo umas dezenas de likes naquelas fotografias super invernosas e fofinhas do Instagram. Mas já sei que chegando o vinte e quatro, de manhã, de manhãzinha, a aura negra surge e que ninguém se meta comigo, que não tenho paciência. 

As razões são importantes para perceber o porquê, mas nisto, acredito que ninguém deve explicações a quem quer que seja. Eu não gosto, porque não gosto. E não estou privada de voltar a gostar, de reencontrar e reconstruir as bases para que faça tudo mais sentido, outra vez. Até lá, fico na minha. Janto, vejo uns quantos programas de televisão (na noite de 24 vi um concerto de natal do Andre Rieu que achei engraçadíssimo e recomendo!) e nego-me a esperar pela meia noite para "o grande momento". O grande momento será chegar viva à minha cama (felizmente, tenho uma!), tentar adormecer em paz e, posto isto,  acordar pronta para um dia normal. 

Não sou falsa moralista, o que me obriga a confessar que é ótimo, aliás, um privilégio, ter a oportunidade de receber um envelope branco no natal. Dá um jeito do caraças o que lá vem dentro. 
Mas realmente, não é tudo. Se bem que ajuda muito. 

O que é certo é que este certame de famílias grandes e felizes, esta disputa de maior número de sacos junto à árvore de natal, esta luta de instastories pelo natal mais divertido, por agora, não me diz nada, nem tão-pouco me agrada. Faço parte, portanto, dos que não adoram o natal. 

Tragam-me festa noutro dia qualquer. Vá-se lá saber porquê, gosto muito. 
Mas tirem-me este peso todo de cima. Esta pedra de quinhentos quilos chamada "natal". 
Dou graças a deus pelos ditados e frases feitas não serem verdade. Ainda bem que não é natal todos os dias. 
E não me esqueci que o natal é o nascimento do menino jesus. Este natal de que vos falei, é outro. Acho que são capazes de me entender. 

Um beijinho,

Raquel 

5 comentários so far

  1. Compreendo o que dizes. Para mim o Natal tem um sabor agridoce porque apesar da reunião da família, da mesa cheia e dos presentes há também as discussões sucessivas, o ressaltos dos defeitos de uns e de outros, as conversas mesquinhas, e a hipocrisia de se querer fazer parecer que é tudo perfeito só porque é Natal. Não sei a tua situação, mas eu ainda sou "obrigada" a fazer aquele esforço pela família (em especial pela avó e pelos pequenos) mas talvez se não existisse esta sensação de "obrigação" talvez também não me importasse de passar a noite no sofá como em tantas outras noites ao longo do ano. Um beijinho

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  2. Olá Margarida! Consigo por-me na tua posição, muito embora tenha uma família pequena (pelo menos, aquela com quem costumo/costumava - nem sei bem como chamar a isto - passar o meu natal). Continuo a fazer um esforço, também. Mas cada vez custa mais, sobretudo quando uma pessoa sente que, muitas vezes, o esforço parece, para muitos, em vão. Um beijinho grande!

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  3. Não estas sozinha! =)

    www.walking-spirit.com

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  4. Respeito o que dizes mas eu adoro o Natal!!

    Novo post: http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2017/12/zaful-bordeaux-and-pearls-review.html

    Beijinhos ♥

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  5. Eu gosto muito do Natal. É uma das poucas alturas em que conseguimos reunir a família toda. Não se trata das prendas nem da mesa de comida, mas da familia. Tudo bem que às vezes poda haver discussões, mas mesmo assim, lá em casa, felizmente somos todos unidos. Infelizmente este Natal teve um sabor mais amargo pela perda do meu avô. Mas ainda assim, é bom estarmos todos reunidos, sem grandes cerimónias.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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