segunda-feira, 27 de novembro de 2017

concurso de desgraçados (com malta cheia de sorte à mistura)


Se formos medir desgraças, há por aí gente que encarna um verdadeiro Cristiano Ronaldo ou uma Serena Williams do infortúnio. Têm queda para isso, tudo lhes acontece. Tudo de mau. O que é bom, está quieto. 

Não nego não sentir pena, mesmo que se diga que é feio dizer-se que se tem pena de alguém. Mas não dá para ignorar esta sensação de piedade, de compaixão pela desgraça alheia. 

Depois há os que estão sempre na mó-de-cima. Mas esses, agora, não interessam para a história. A desgraça não quer nada com eles. O azar muito menos. 

Além destes dois grupos, há um terceiro: pessoas-que-conhecem-a-desgraça-de-vez-em-quando. E não perspetivemos a desgraça, aqui, como ir a caminho do supermercado e enfiar o pé numa senhora poça ou bater com o dedo mindinho na esquina de um móvel. Falo-vos de desgraças maiores. Não tão grandes nem dramáticas como aquelas típicas do primeiro grupo, é certo. Mas são desgraças.

Há uns tempos que considero fazer parte deste grupo manhoso, que nem é carne, nem é peixe. Que não tem a sorte sempre do seu lado ou a miséria de mão dada vinte e quatro horas por dia. Não é bom, também não é mau. E não é mau porque, realmente, há quem esteja pior. Mas não é bom porque...olhem, porque também não se está bem.

Alternando entre dias de alguma angústia, outros de pura irritação e uns quantos em que o nível de alegria está claramente acima do normal, uma pessoa vai ficando confusa. Não sabe às quantas andas, mas quer muito saber. Não sente aquele domínio sobre as coisas, nem tão-pouco a falta dele, porque quando tudo parece bem, maravilhoso, há um qualquer pensamento que tira uma peça do puzzle do sítio e volta tudo a deixar de fazer sentido.

Esta confusão toda, esta mixórdia de sensações (e muitas irritações), é chata. Acima de tudo, é isso que é. Chata. Chata. Chata.
E, para minha sorte (e de tantos outros), para além de chata é efémera.  

Por isso, importa pôr a desmotivação e o desalento numa gaveta qualquer, fechá-la e mandar a chave ao Tejo, já dizia o Zambujo n'A casa fechada. Medos e hesitações, fantasmas e outras coisas más, tudo com o diabo. Só não digo para onde, porque me ficaria mal.

O stress, este novo companheiro de tantas horas (dias, uff!), não sei bem o que lhe fazer. A abstração não é tarefa fácil, digo-vos. Também o devem saber. Mas é tarefa minha aprender a lidar com esse senhor. Vamos a isto.

Please believe that there are a thousand beautiful things waiting for you. 
Sunshine comes to all who feel rain. 

O chão ficou molhado, perigoso. Escorreguei e caí. Não passei do chão e depressa tratei de me pôr em pé.
Com ajuda, é certo. Porque há coisas maravilhosas que já aconteceram e há coisas tão ou mais maravilhosas que vão acontecendo. Sou mesmo do grupo manhoso, porque no meio de alguma desgraça, tenho muita, muita sorte.

Raquel

PS: Por falar em atirar a chave ao Tejo,

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