quarta-feira, 9 de agosto de 2017

anti-beatices


Primeira coisa: ponhamos as beatices de parte. Isto é ponto assente. 

Não me revejo minimamente nessa coisa de apregoar que se acredita, que se gosta, que se faz isto, que se faz aquilo, que se vai à missa quase minuto sim, minuto sim. Talvez não faça sentido para o mundo esta maneira "minha" de pensar neste assunto, mas é assim que eu gosto e, como tal, é assim que eu faço. 

O primeiro, por aí, que não tenha uma opinião... que atire a primeira pedra. Graças a deus, a grande maioria tem uma cabecinha que dá para pensar. 
Ups! Será que invoquei o nome de deus em vão? 

Acredito em deus, acredito em jesus, acredito na fé. Não se trata, propriamente, de acreditar na sua existência. Não há grande substância, para mim, em nenhuma destas entidades, coisas, o que lhes queiram chamar, que me permita explicar porque é que acredito. Mas a partir do momento em que alguma coisa me faz sentir bem, tranquila e feliz, não posso deixar passar ao lado a sua "existência". Por muito abstrata que seja. 

No meu segundo ano da faculdade resolvi que queria fazer o crisma. E fiz. Tinha reuniões com um grupo de jovens (no CUMN, em Coimbra) semana sim, semana não. Havia faltas, coisa que eu não gostava nada. Era uma forma de coagir as pessoas a marcar presença. Repito: numa coisa do tipo, não acho que faça sentido. Mas fora esse controlo desenfreado da assiduidade, gostei muito de todos os momentos. Falei de coisas que nunca pensei vir a falar, dei a minha opinião sobre assuntos que, até ali, me eram algo desconhecidos. Construí ideias, construí qualquer coisa de muito interessante. Agora, um ano depois, continuo com problemas de assiduidade (na missa, para ser mais sincera), mas quando quiser ir, eu vou. Quando sentir que preciso de ir, levanto-me, visto-me e vou. E mais: sairei, como sempre, de baterias recarregadas, tranquilidade nos píncaros e sorriso na cara. 

Entretanto, quando preciso de ajuda, viro maluca e falo com Ele (é assim que os entendidos dizem, não é?). Pensam vocês, seus engraçadinhos, que ele não me vai ajudar no que quer que seja porque as pessoas continuam a morrer de doenças ridículas, a guerra no médio oriente não tem fim, a pobreza, essa, cresce a olhos vistos. Mas ninguém tem esse poder, nem deus. É isso que acho. Mas não nego que um ombro amigo 24/7 dá imenso jeito. Eu digo o que tenho a dizer, ele lá responde à maneira dele e eu vou à minha vida. Ajuda dada, de graça. Que maravilha. 

Estou a ser um bocadinho sarcástica a falar deste assunto, parece-me, correndo o risco de ser mal interpretada. Mas o meu único objetivo é demonstrar que não há nenhum código de conduta dos que acreditam em deus. É por ideias estúpidas como estas que a igreja se pode tornar em algo demasiado elitista. E, consequentemente, (muito) pouco apelativo. 
E o dinheiro que move? Essa é outra. Não gosto de falar sem conhecimento de causa, por isso tenho de me informar bem informada. Mas uma coisa é certa, certinha: não cabe na minha cabeça que haja tanto dinheiro envolvido e seja quase um dado adquirido que não chega onde tem, e deve, chegar. 

Terminando, porque depois esta coisa toda torna-se numa seca, com caracteres a mais: se não acreditam, não acreditam, é vosso direito e esse ninguém vos tira. Mas se acreditam, se são da #TeamEuAcredito, continuem a acreditar como querem, como gostam, como se sentem bem. O homem, lá por onde anda, está-se bem a cagar se cumprirmos os mil e um requisitos super apertados, de forma total e absoluta, sem falhas, a toda a hora. Ele quer é que sejamos malta porreira, simpáticos e prestáveis uns para com os outros, honestos e humildes. Entretanto, gosta que vamos falando com ele da maneira que quisermos: a escrever, a falar, a cantar, a fazer teatrinhos, a andar de bicicleta. Sei lá. Somos apenas nós e a nossa fé. É simples. Só isso. Cada um constrói a sua fé como bem quiser e, mais, souber. Venham lá mandar vir com a minha, que sei bem para onde vos mandar. (logo à noite peço-lhe desculpa... foi mais forte que eu).

De que é que vale andar enfiado na igreja se, depois, quando se vem para a rua, se faz tanta coisa ao contrário?

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