domingo, 2 de julho de 2017

um caminho até uma porta castanha

A magia dos céus cinzentos persiste incógnita. O despertar de um amor pelos dias frios, pelas mãos geladas, idem. A paixão desenfreada pelo café, pelo conforto da alma. Os sorrisos nos olhos de quem enfrenta um novo dia. O cansaço nos corpos de quem se arrasta por um cenário assim. Felizes dos que se arrastam ali. 

Saio porta fora, apressada. Senhora de mim e de um passo rápido, constante, encanta-me o ressoar do bater das solas dos meus sapatos. Estranhamente melodioso, apresso-me um pouco mais. Continuo encantada. 

Viro aqui, ali, sigo em frente, tenho de parar. Estou parada e custa-me, por segundos, sentir-me assim. Quase imóvel, menos viva.
Luz verde, posso seguir caminho. O cheiro do pão, ainda quente, atordoa-me de uma forma inexplicável. 

Os raios de sol que trespassam e rasgam as nuvens claras dificultam-me a visão. Olho em busca da porta, castanha, enorme. As varandas, em ferro verde, invadidas pelas flores roxas, vivas, ali estão. O ensurdecedor silêncio da rua torna-se estranho. Ao mesmo tempo, magistral. Vi-a, enorme, castanha. Ainda é de manhã, mas finalmente cheguei. Resta-me entrar. 

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