quarta-feira, 26 de julho de 2017

de cabeça (erradamente) ocupada


Às vezes sinto que nós, seres humanos, acabamos por funcionar como pequenos mártires. Perante um «porquê?», respondo que não faço a mínima ideia. Não conseguimos fugir a esta coisa de sofrer, de nos sentirmos trespassados, ainda que por uma espécie de faca meramente metafórica. Acabamos sempre, nem que seja uma vez na vida (e, oxalá, fosse só uma), na merda.


Logicamente, questiono-me acerca da inevitabilidade desse infortúnio. Será que há por aí um qualquer meio desconhecido capaz de o afastar das nossas vida? Nunca ninguém me contou nada sobre isso, nunca ouvi parvo nenhum gabar-se de tal coisa. Mas quase que aposto que havendo por aí, um esperto qualquer sabedor de como fugir desta sensação da treta, não vai dizer a ninguém. Não fosse o homem este ser mesquinho que tão bem sabe ser. 
Pois bem. E questionam vocês: que é que despoleta tudo isto? Fácil, muito fácil. Nada mais, nada menos, do que esta nossa capacidade para pensar. Pior: a falta de um travão.

Nós, homens, vulgarmente designados por pessoas, outras vezes, simpaticamente, por humildes atrasados mentais, não sabemos conter os efeitos nefastos desta ferramenta tão interessante e, ao mesmo tempo, tão perigosa, com que alguém nos dotou. Pensar. 

Ainda não fui perspicaz o suficiente para perceber como alcançar essa proeza. Encontro-me em processo de investigação. Uma investigação morosa, complexa, bastante chata. Hei de errar mil e quinhentas vezes antes de acertar com a fórmula certa. Assim será, até deixar de ser. Não estou minimamente preparada para esta busca tão demorada. Nem começou e já consigo estar farta. 

E nós, os pequenos mártires ali do início, seremos tudo menos mártires, e algo mais próximo de (mais) felizes criaturas errantes e, muitas vezes, erradas.

Problema nº 435235: Criaturas. Erradas. 

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